segunda-feira, 17 de maio de 2010

Mexendo na Cultura

Quero começar minhas publicações informando aos leitores, que toda palavra onde remeta ao vocabulário do interior, será linkado com mais informações e imagens.

O texto que escolhi foi uma letra de canção com viola. Apresentada no livro “Versos Itinerantes – Melhores momentos de Festivais de Poetas e Repentistas do Ano de 2000”. Primeiro gosto do livro. Segundo, sou do tempo em que não existia liquidificador e minha mãe amassava o feijão cozido entre os dedos pra fazer sopa de feijão para a janta (Oh tempo bom!).

Aqui segui...

SÓ TEM ISSO NO SERTÃO

Antônio Lisboa e Edmilson Ferreira


Um pote de água fria

Encostado no oitão

Um sertanejo suado

Com uma enxada na mão

Por incrível que pareça

Só tem isso no sertão.


Só existe no sertão

Um realejo que chora

Um carão adivinhando

Quando a chuva vai embora

Cachorro acuando peba

E jumento dizendo a hora


E onde existe a peixeira

O gibão mal costurado

O camponês que trabalha

Todo dia no roçado

E vaqueiro de todo jeito

Aboiando atrás do gado


Gente sempre achando graça

Quando se acaba o verão

O grito da codorniz

A catinga do cancão

Passarinho pegando as sementes

Que o camponês pôs no chão


Fumaça de lenha seca

Na cozinha do vovô

Inhambus e juritis

Rolinhas fogo-pagou

Meninos cortando os grãos

Que o cacho de arroz botou


Rolinha fogo-pagou

Nasce no sertão também

Uma caçada de tejo

Uma cuia de xerém

Novenas no mês de maio

Só é no sertão que tem.

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