Quero começar minhas publicações informando aos leitores, que toda palavra onde remeta ao vocabulário do interior, será linkado com mais informações e imagens.
O texto que escolhi foi uma letra de canção com viola. Apresentada no livro “Versos Itinerantes – Melhores momentos de Festivais de Poetas e Repentistas do Ano de 2000”. Primeiro gosto do livro. Segundo, sou do tempo em que não existia liquidificador e minha mãe amassava o feijão cozido entre os dedos pra fazer sopa de feijão para a janta (Oh tempo bom!).
Aqui segui...
SÓ TEM ISSO NO SERTÃO
Antônio Lisboa e Edmilson Ferreira
Um pote de água fria
Encostado no oitão
Um sertanejo suado
Com uma enxada na mão
Por incrível que pareça
Só tem isso no sertão.
Só existe no sertão
Um realejo que chora
Um carão adivinhando
Quando a chuva vai embora
Cachorro acuando peba
E jumento dizendo a hora
E onde existe a peixeira
O gibão mal costurado
O camponês que trabalha
Todo dia no roçado
E vaqueiro de todo jeito
Aboiando atrás do gado
Gente sempre achando graça
Quando se acaba o verão
O grito da codorniz
A catinga do cancão
Passarinho pegando as sementes
Que o camponês pôs no chão
Fumaça de lenha seca
Na cozinha do vovô
Rolinhas fogo-pagou
Meninos cortando os grãos
Que o cacho de arroz botou
Rolinha fogo-pagou
Nasce no sertão também
Uma caçada de tejo
Novenas no mês de maio
Só é no sertão que tem.
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